domingo, 6 de abril de 2014

Ano Novo

No Ano Novo
O sol nasce como gema de ovo,
E o fogo de sua face
Clareia a clara
Branca como a paz,
Tão pura, tão rara,
Que se faz em vôo,
Lento como nuvem,
Leve como ave,
Vento, algodão...
A luz lava o céu,
Enquanto a brisa leva
A esperança 
Pra dentro do Ano Novo,
E a ave da paz
Para fora do ovo.

Estilhaços

Pedaços de saudades,
Sapatos espalhados,
Estilhaços de sonhos,
Porta-retratos
Se espalham pelo chão da sala,
Como cacos de cristais
E de porcelanas.

Espelhos , imagens tortas,
Minha vida em reflexo,
Fotos em preto e branco,
Marcas, sombras de passos,
Cambaleando pelo chão
Vão indo em vão
Pelos vãos da noite.

Relógios e ponteiros
Sangram os minutos
Que vão morrendo um a um,
Escorrendo pelas paredes,
Enquanto me afogo
Nesse lago amargo
De silêncio e solidão.

terça-feira, 25 de março de 2014

Viagem de submarino

Como um peixe gigante
Negro   a   espadanar,
Pejado de navegantes
Vai afundando no mar.

E lá no ventre marinho,
Em silêncio a navegar,
O nauta  se faz menino
E  começa  a  sonhar:

Sonhar Jonas  que  vagueia
Em  um   ventre  de   baleia,
Sem um norte que o governe,

Sonhar  com a  fantasia
Que  outrora  sempre lia
Nos livros de Júlio Verne.

Nada

Aqui jaz
Mais um momento
De mim mesmo.
E o canto do vento
Ao esmo
Me adormece
Em paz.
Já não vejo
A vida,
Já não sinto
A morte,
Já não sou
Nem o que fui.
Sou apenas 
O pó desse verso
Que se desfaz
No universo do nada.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vôo da vida

Paz...
Silêncio...
Solidão...
Pássaros no ar
Voando leve...
Levitando livres
Como o pensamento
Concreto como esse momento.
E ,passo a passo
O tempo passa,
Leve como nada
Levando tudo
Passo a passo
No compasso
Do passo,
No espaço do vôo,
Como pássaros
Passarinhos
Passarada,
Todos passarão
Todos passaremos...


Nuvem

Estou só...
No peito, um nó
Não há lágrimas
No deserto do meu rosto.
Não há magma 
Não há nada
No vulcão do meu peito.
No céu ,
Um penacho de fumaça
Ao vento
Ao tempo
Feito um sonho desfeito
Que vai ...
Que vai...
Se desfazendo
Como a vida.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Meu Rio Doce


O  meu  Rio  Doce  desce
Docemente   na    tarde
Como se as águas dessem
Sussurros  de   saudade.

No  acalanto  das  águas,
Meu  Rio  Doce, cantando,
Leva  todas  as   mágoas
Que em mim vão boiando.

A   derradeira   luz
Se  entorna,  reluz
Nesse meu rio que desce,

Desce lento  e  doce
Como  se  ele  fosse 
A minha própria prece.