terça-feira, 25 de março de 2014

Nada

Aqui jaz
Mais um momento
De mim mesmo.
E o canto do vento
Ao esmo
Me adormece
Em paz.
Já não vejo
A vida,
Já não sinto
A morte,
Já não sou
Nem o que fui.
Sou apenas 
O pó desse verso
Que se desfaz
No universo do nada.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vôo da vida

Paz...
Silêncio...
Solidão...
Pássaros no ar
Voando leve...
Levitando livres
Como o pensamento
Concreto como esse momento.
E ,passo a passo
O tempo passa,
Leve como nada
Levando tudo
Passo a passo
No compasso
Do passo,
No espaço do vôo,
Como pássaros
Passarinhos
Passarada,
Todos passarão
Todos passaremos...


Nuvem

Estou só...
No peito, um nó
Não há lágrimas
No deserto do meu rosto.
Não há magma 
Não há nada
No vulcão do meu peito.
No céu ,
Um penacho de fumaça
Ao vento
Ao tempo
Feito um sonho desfeito
Que vai ...
Que vai...
Se desfazendo
Como a vida.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Meu Rio Doce


O  meu  Rio  Doce  desce
Docemente   na    tarde
Como se as águas dessem
Sussurros  de   saudade.

No  acalanto  das  águas,
Meu  Rio  Doce, cantando,
Leva  todas  as   mágoas
Que em mim vão boiando.

A   derradeira   luz
Se  entorna,  reluz
Nesse meu rio que desce,

Desce lento  e  doce
Como  se  ele  fosse 
A minha própria prece.

 




Porto - por-de-sol


Navios enormes
Silentes dormem
Na noite que vai
Deitando no cais,

E os guindastes,
Imensas hastes,
Levantam braços
Negros de aço,

Içando na tarde
O sol que arde
Vermelho-verão.

E, num movimento,
O guindaste lento
Põe o sol no porão.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Nau da paz

Um   navio   nasce   no  fim   do   mar
E vem com o céu suspenso no mastro,
Em  busca  de   um porto pra  chegar,
Pisando as ondas, riscando os astros;

E,  enorme,  maior   que  o  espaço,
Navega nos meus olhos lentamente
Como  um  sonho cinzento, de aço,
Que me  fere  a  lucidez  da  mente.

E  no  delírio  bom de um momento,
Vejo,  entre  o  mar  e o firmamento,
Uma   nau    abarrotada    de    paz;

Não vem da guerra, vem da esperança,
E, em vez de  guerreiros, traz  crianças,
Para  ancorar  na  Terra:  imenso   cais.

Dia de Natal

No  Natal,  às  vezes  penso:
Quanto vinho, quanta  fome!
Terá  Deus  perdido o senso,
E pecado ao nascer homem?