domingo, 8 de setembro de 2013

Anoitecer numa aeroviagem


Passageiro do tempo, em  viagem,
Bebo  essas  cores  da   paisagem
Que  se  entornam pelo céu a baixo
Em mil pencas de nuvens,em cacho.

E   o   meu   pássaro   de  metal
Voa,  e  com   seu  bico  mortal
Quebra o sol  como um  espelho
Que  cai em estilhaços, vermelho.

Longe,   explode meu entardecer
Que  sobe do  chão e  vem  tecer
Esse   silêncio  triste ,  mormaço.

Minha  noite   salta   do   poente,
Negra,  feito  a   morte -serpente,
E engole a luz e a vida do espaço.

sábado, 31 de agosto de 2013

Derick, meu filho


Meus olhos molhados de esperança
Contemplam  você  agora  no berço,
No  sono  macio  da paz  de criança
Que  me faz  feliz como não mereço.

Diante  de  você,   filho,   eu   sonho
E   me  torno  novamente   menino,
E  na  fantasia  em  que  me  ponho
Matizam-se  cores  do  seu  destino.

Amanhã,   você   já   terá   crescido
E    eu,   certamente,   envelhecido,
Terei   nos  olhos  apenas saudade.

E,  então,   homem   feito,  você  vai
Sentir   o  quanto  foi  feliz  seu   pai
Vendo-o  no  berço da maternidade.

Bruno, meu filho


Vieste de outro mundo, rompendo mares,
O  espaço   infinito  e  o   tempo   eterno,
Superando a  razão  de todos os  lugares,
Argonauta-menino  do  ventre   materno.

Chegaste das estrelas, príncipe-menino,
Num  raio  de luz  e na mágica de Deus,
E de tanta paz nesses olhos pequeninos
Fizeste  esperança  nestes  olhos  meus.

És pólem fecundado de um grande amor,
Criatura   mais   perfeita   do   Criador,
Raro  diamante  de  mais  intenso  brilho.

És  de  tudo  o  começo,  o  meio  e  o fim,
És   minha  alma  dentro   e  fora  de  mim,
Só não és o próprio Deus,porque és meu filho.

Amanhecer no cais do Porto


O guindaste
Em haste
Pende
E suspende
O sol
Como o anzol
Que estira
E tira
O peixe,
Luz em feixe
Da boca 
Oca
Da manhã.

E o arrebol
Espadana
Escamas
Da luz
Que reluz
No ar
E no mar.

Então o dia
Que dormia
Acorda,
Se espreguiça,
Se levanta
E se veste 
No Cais-Leste.

domingo, 25 de agosto de 2013

Mulher - vela branca de jangada


As horas se quebram no meu peito
Como  ondas se quebram no  cais
E  esse  meu  momento  tem  jeito
De  flor de espuma, de flor de paz.

Na   flor  de  espuma,  a  saudade,
E na flor de paz, meu grande sonho,
Que  desabrocha,  que  me invade
Na  fantasia  em  que  me  ponho.

No  sonho  se  opera  um milagre
Quando   o   horizonte   se   abre,
E,  então,  eu  sinto  você  chegar

Como  a vela  branca  da jangada
Que me rasga o peito na chegada
Pra num mar de amor me navegar.

domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem



O trem da Vale do Rio Doce
Desce
Pela linha
Vitória-Minas...

O tempo viaja de trem
Nos trilhos das horas,
E, num vagão de segunda classe,
Minha infância embarca
Na estação de Colatina.

O apito da locomotiva
Embala o trem,
E o menino começa a viagem
Com muitos sonhos nos olhos
E uma pequena mala de bagagem...

Faz muitos anos
Essa viagem
Na linha
Vitória-Minas!...
E meu trem ainda não chegou
À estação de destino.

De vez em quando
Uma locomotiva
Cruza minha janela,
Arrastando os vagões das lembranças
Abarrotados de saudades,
De volta à primeira estação...

sábado, 17 de agosto de 2013

Pensamento mergulhão



O rio Tapajós desce
Em silêncio
Com suas águas transparentes.

No espelho da transparência,
Bóia a aparência da vida 
Que depois mergulha...
E borbulham
Bolas de sabão
Bolas de ilusão
No poço fundo dos meus olhos
No poço fundo do meu peito.

Aí, vem o pensamento mergulhador,
Feito pássaro mergulhão
E pesca o peixe no fundo do rio,
Pesca a saudade no fundo de mim
E depois voa,
Voa pro infinito
Levando o peixe no bico
E eu... Eu... Fico...